20 de jun de 2009

Árvores, seres inteligentes

Não é a primeira vez que faço comentários sobre a comunicação entre seres de espécies diferentes que habitam a Terra. O assunto ressurgiu quando li uma matéria no caderno Ambiente do jornal Zero Hora, de 28 de maio de 2009. Ali se menciona o quanto poderia ser benéfico o “conversar com as plantas e os animais”. O exemplo disso é o que aconteceu com a médica aposentada, Cândida Otero, 86 anos, que, através do contato íntimo com seres da natureza – e nós humanos somos seres da natureza –, possibilitou-lhe superar a dor de perda de familiares, que a fez chegar nos 34 quilos, tal a depressão em que mergulhou.

Destaque na matéria para a canadense Dorothy Maclean, 88 anos, uma das fundadoras da famosa eco-comunidade Findhorn, no norte da Escócia. Ela lançou no Brasil, no ano passado, o livro O Chamado das Árvores. “Uma legião de seres vivos, compassivos, dotados de inteligência especial”, define ela.

Dorothy é uma ecologista que transcende a “pura” biologia e a política mais dura, entrando no campo da espiritualidade ou religião. Diz que “Somos todos um. Não apenas uma família de seres humanos, mas uma família de seres do planeta. E a vida é essencialmente divina.”

E sobre o contato com esses seres tão antigos, as árvores, que habitam fisicamente o nosso planeta muito antes dos humanos? Será que todos seriam capazes de entender “o chamado”? Como ouvi-las? Na entrevista pra revista Claudia (Editora Abril, novembro de 2008), Dorothy diz que “a conexão vem quando somos amorosos e pacientes e reconhecemos sua inteligência”. A dica é: “Na presença delas, mantenha a mente receptiva, faça uma conexão com Deus – ou com a força de vida que está em todas as coisas. Concentre-se nessa sabedoria, e a comunicação será possível”.

Mas não é de uma hora para outra. Conta que, com ela “isso começou a acontecer depois de uns dez anos de prática meditativa, de sintonia com a minha divindade interior. Não ouço vozes nem tenho visões, é como se fosse uma idéia que me chega inteira, vinda do reino vegetal. Uma espécie de telepatia. Aí, tento traduzir esse insight em palavras fazendo anotações em um caderno de bolso”.

Com todas as espécies de seres – até bem além dos terráqueos – deve ser assim, me parece. Não bastarão antenas, telescópios, sondas para o “contato”. Ficções como os de filmes clássicos, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steave Spielberg, por exemplo, também podem ser um reforço a ilusões – de que haveria algo palpável, algum aparato tecnológico, físico, material, enfim, mediado a comunicação entre humanos e... bem... humanóides – que é o “formato” que mais podemos imaginar enquanto ser inteligente (por isso a profusão de greys e assemelhados), tal nosso limitante e limitador antropocentrismo (o ser humano como centro, razão e parâmetro para tudo). Desconfio que será preciso muito mais é um coração compassivo, uma mente livre e uma grande abertura para todas as possibilidades de comunhão com as coisas da Vida, do Universo, do Infinito.


*O chamado das Árvores, 2008, Irdin Editora. Sinopse: “Aprendemos que as árvores não são apenas as guardiãs, mas também a pele da Terra. A natureza não é uma força cega e rude, mas uma presença inteligente, que pode e deseja comunicar-se e cooperar com uma humanidade desperta.” FONTE: http://www.livrariacultura.com.br

**“Na década de 60, a educadora Dorothy Maclean e seus amigos Eillen e Peter Caddy já meditavam e mantinham uma forte conexão com uma espécie de divindade interior. Guiados por ela, os três deixaram seus empregos formais e viajaram a bordo de um trailler até o meio de uma área desértica, no norte da Escócia. O solo era árido, mas eles tinham como missão ficar ali e fazer um jardim. Trouxeram as plantas e se puseram a trabalhar na terra. Em pouco tempo, a área estava coberta de vegetação, flores e frutos. Assim nasceu a comunidade de Findhorn, a ecovila mais antiga do mundo, fundada há quase 50 anos. Hoje, é um centro de estudos de projetos de sustentabilidade e de práticas espirituais, pois, segundo os idealizadores, essas seriam duas faces indissociáveis da manutenção da vida.” FONTE: http://holosgia.blogspot.com/

***Na mesma matéria de Zero Hora, fala-se da veterinária Sheila Waligora, “comunicadora entre espécie”. Ela diz usar técnicas telepáticas. “A fala para eles [cães, gatos e outros animais não-humanos] é apenas um ruído, eles compreendem a nossa intenção.”

No blog da veterinária – : http://sheilawal.wordpress.com/ –, destaquei a seguinte parte do texto “De quem é a Terra?”:

A Terra, verdadeiramente, é dos animais, das plantas, dos minerais [...]…
Nós humanos somos seres visitantes e nossa passagem por aqui é muito breve. Ainda mais por isso, nosso respeito pela natureza e seus seres precisa ser imenso, assim como nossa gratidão por podermos compartilhar de tanta beleza.

Neste contexto e com essa visão, pensamos em propor às pessoas, que experimentem se comunicar com uma flor, com um inseto, com uma linda árvore e com os animais.

Vestidos com amor e respeito, com reverência, cumprimentamos os seres da natureza e nos colocamos ali, com o coração e os ouvidos muito abertos, para receber aquilo que eles querem nos transmitir. Ao silenciarmos, com essa atitude interna, estamos criando o ambiente perfeito, para recebermos uma mensagem que pode transformar nossas vidas.

A comunicação telepática com outras espécies é uma comunicação expandida, quando abrimos ainda mais todos os nossos sentidos, para nos capacitarmos a ouvir mensagens inesperadas, que podem transformar nossa atitude em relação a animais, plantas e à natureza em geral.



Pode transformar também nossa maneira de viver, pois vamos começar a prestar mais atenção aos nossos hábitos, vamos ficar mais conscientes em relação aos nossos pensamentos, vamos cuidar mais dos nossos relacionamentos entre humanos e , quem sabe, vamos até resolver criar um momento diário para silenciar e fazer absolutamente nada?

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