13 de set de 2009

Breve baianada


Na onda das viagens, vai aí uma fotinho da última empreitada na Bahia. Fiquei duas semanas desta vez, no final do mês passado (agosto), em Cruz das Almas, e um pouco em Salvador, num curso de pós com módulos na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB.


Como disse o Agladis, é muito interessante as semelhanças entre cidades como, por exemplo, Rio Pardo, Rio Grande, no RS, e Salvador, BA. Atestado do sucesso lusitano em efetivar a sua dominação num país imenso como o Brasil - sem contar em vários e muitos outros cantos do mundo, até na Ásia (Goa e Macal, pra citar os principais, talvez). Andar em Cachoeira e São Félix (cerca de 140km de Salvador, e bem próximo de Cruz das Almas), que se estendem ao longo do famoso Rio Paraguaçu, é uma experiência fantástica - em especial pra nós brancos sul-brasileiros. Ao mesmo tempo que se está no Brasil, parece outro mundo: moreno, mestiço, sinuoso, "barroco", impregnado de religiosidade e sensualidade ao mesmo tempo. Lá conheci um terreiro de Candomblé e até um bênção com pipoca "purificadora" recebemos da babalorixá.


Dizem que essa região é o berço do Brasil pela extração do Pau Brasil e depois pela agricultura - cana, café, fumo etc. - começa uma "viabilidade econômica" para a colônia portuguesa na América. E também berço das religiões de matriz afro e afro-indígena-católica. Outro "berço" é o dos charutos e do cultivo e beneficiamento de tabaco para charutos, que se tornaram mundialmente famosos por sua qualidade.


Também aproveitei a estada na Nahia para experimentar o que fosse possível da alimentação "típica". Fiquei até meio enfarado dos temperos. Overdose de azeite de dendê, leite de coco, macacheira (TUDO leva mandioca - sem trocadilhos!)... Comi acarajé, mugunzá, vatapá, abará, caruru, muqueca, xinxim, tapioca, beiju, bobó, maniçoba, pamonha... Sucos de umbu, cajá, cacau, graviola (licores dessas coisas) e até o intragável suco de milho verde... Tomei um fartão, como se diz! Mas a cocada escura cozida de sobremesa é algo espiritual - pode levar a pessoa a um êxtase, a uma epifania, a visões da Virgem Maria Imaculada e mesmo do Nosso Senhor Jesus Cristo ao lado do Pai de Todos!!! Comi isso num restaurante instalado num antigo convento... Que pecado, tchê!


Minha "tendência vegetariana" não me impede de provar qualquer alimento, caso eu sinta vontade. Não quero ser sectário. Apenas evitar comer carne, porque é uma coisa meio feia e o sofrimento do animal - que considero seres ao par dos humanos - é muito explícito, ainda mais quando é um mamífero, tipo vaca, porco, coelho etc. Mesmo assim, como os pobrezinhos... (Contei que fui em fevereiro a Argentina, Misiones, num intercâmbio visitar aldeias de índios guarani por lá e comi carne de gado e aipim direto! Não havia muita opção, claro, e em momentos assim, de conhecimento e busca de contatos, quero compartilhar o máximo possível, incluindo as refeições.)


Também cada vez mais tenho menos restrições a "misturas". Aqui entre a "alemoada" não é incomum misturas coisas como cuca de abacaxi (doce) com feijão e batata frita no mesmo prato.


Lá em Cruz estava até um pouco frio. Outra coisa que não esperava da Bahia - além de uma Salvador megalópole, tão cheia de coisas quanto São Paulo ou Porto Alegre (nada ver com aquilo - imagem estereotipada e preconceituosoa - de todo mundo em uma rede na beira da praia tomando água de côco). Um frio úmido. É uma região com bastante verde, rios e lagos. E é época de "inverno", que significa "chuvas".


E o sotaque? É um elemento da voz, mas na verdade tudo tem um sotaque diferente - no andar das pessoas, no jeito de olhar, no jeito de sentir e pensar, conjecturo. É uma formação em outro universo cultural, com outra cosmologia, que diferencia em sutilezas e dá nesta diversidade tão bacana.


Cruz das Almas tem vários paralelos com Santa Cruz do Sul (além da palavra "Cruz"): são duas zonas de plantio de fumo históricas e de grande importância sócio-econômica - só que por lá, como falei, fazem charutos, e aqui o tabaco é pra cigarro. Em ambas cidades, o domínio econômico industrial, porém, é por estrangeiros. Ligam-se também pela presença de imigrantes germânicos. Mas, até onde pude saber - e parece haver poucos estudos sobre isso pelo que apurei com colegas e numas visitas, lá os "alemães" (entre outros) vieram já com idéias e capital para montar indústrias ligadas ao tabaco, e que ficaram famosas, como Dannemann e Suerdieck.

Um comentário:

Anônimo disse...

baianucho porrêta!
sandoval