10 de jan de 2010

Argentina, Buenos Aires, final de novembro, início de dezembro de 2009



(De uma troca de e-mails no final do ano)

Que beleza!!! Amigos no show do AC/DC na Argentina. Inveja boa. Mas também não dá para reclamar tanto assim. Nesses acasos da vida (ou não tão acasos assim), estava eu em Buenos Aires nos dias anteriores a apresentação da banda-trilha da nossa fase heavy (de algum modo ela perdura até hoje)... Voltei de lá no dia 29. Via as propagandas pelas ruas, na TV, camisetas, bancas... Mas estava numa programação de trabalho, assistindo palestras e visitando universidades. Claro que dei várias bandas “extras” e acho que ao menos uma passada nos pontos de referência turística portenhos eu consegui dar - incluindo tomar um café no "Gran Cafe Tortoni" (aquele fundado em 1858, um dos primeiros da América), no planetário, no jardim botânico, na livraria Atheneu, viagem no subte (lembrando da canção do Vitor Ramil*), passeios no Porto Madeiro, Ricoleta, Palermo, Boca etc. Até dois tours por dentro da Casa Rosada, com "direito" a uma brevíssima estada no gabinete da Cristina Kirshner e no balcão de onde Evita discursava às massas.

Conheci, sempre na corrida, municipalidades ao redor de BA, cpital federal - La Matanza, San Martin, Luhan e Tigre. E os shows que conseguir ir eram mais “culturais”, digamos assim: tango, folclore argentino e dança flamenca contemporânea (onde entrava na trilha até Pink Floyd).

Uma pena não ter muitas parcerias pra fazer mais coisas fora do “menu turístico” padrão. Havia comigo, pelo estágio que estava fazendo, colegas do México, Costa Rica, República Dominicana e Colômbia – cada qual com seus planos particulares e suas turmas.

De qualquer jeito, fizemos alguns passeios juntos e mais uns dias seríamos os melhores amigos da vida. Meu compatriota, da universidade do recôncavo da Bahia (UFRB), foi o mais parceiro, e caminhamos muitas e muitas quadras untos (assim como a turma mexicana, no último sábado da estada).

Foi uma excelente experiência (vivência direta) e uma coleção de momentos novos e bacanas – além dos desagradáveis, é claro, que não tem como não fazer parte da coisa toda.


Quando falo dos lugares onde estive, até parece que fiquei uns 2 meses. Mas foram “solamente” nove dias. A hospedagem era num hotel bacana, na esquina da Cerrito com a Peron, duas quadras do famoso obelisco, símbolo de BA.

Como cheguei no sábado, 21, e voltei no domingo, 29, teve uns dias "livres", além do que a própria UNLaM (Universidade Nacional de La Matanza) nos levou durante a semana. Também à tardinha e noite eu saí por conta ou com algum camarada pra dar umas bandas, comer empanada y otras cositas más; até aquela "afamada" pizza "sabor único" (mussarela!) da Ugi's eu mandei bala (assim como o Sandoval - só que comi na própria pizzaria, que é uma experiência antropológica ainda mais radicalizada...), e picolé da Arcor - o tal deguste de comestíveis pops que o Agladis é especialista.

Pouca grana, pouco tempo, mas muita disposição pra conhecer as coisas. É claro que o tio até em passeata de "piqueteiros" se meteu - um protesto contra a influência da Igreja Católica no governo, condenando radicalmente o aborto, entre outras formas de visão machistóide de um cristianismo catatônico.


Gostei muito de Buenos Aires e dos argentinos/as em geral. Sinceramente, to me lixando (parodiando o deputado local) pra soberbas – que dizem caracterizar em especial os que moram em BA. Se a gente procurar, vai achar essa soberba, sim. Aliás, uma soberba que muita gauchada está embebida até a ponta do pau, se achando – ridiculamente, me parece – o sal da terra brasileira...

Além disso, boludo, há as diferenças regionais - de cultura, paisagens, formação étnica etc. Em fevereiro passei uns dias em Misiones (como já havia contado), que é, como tu sabes, uma província bem diferente do que a de BA, onde há até uma alemoada em cidadezinhas minúsculas, convivendo com guaranis que vivem em aldeamentos próximos.


Na Ugi’s, eu pedi 1/4 de pizza e foi uma pechincha. Mas o refri custou quase o dobro (só havia a opção de botijas de 500ml e nada de suco ou outra "frescura"). O atendimento dos caras também era bem sem gentilezas, quase chulo. É pegar ou largar! Achei estranho os caras ficarem numas mesas altas ou encostados na parede, comendo direto na forma, sem talheres, só com uns guardanapos de papel vagabundo que pareciam cortados a facão. O ambiente todo é tosco. E os cartazes na parede com os preços pareciam feitos no Word pelo dono.

Sobre o Café Tortoni, tem mesmo fila pra entrar lá em certos horários. Chegamos, mas logo entramos. Era começo da noite e toda a Avenida de Mayo é uma beleza de gentes e prédios. Há n café uma “aura sagrada". Balcões, mármores, pilares, rococós, mesas, luzes, quadros, fotos, xícaras. Vendem souvenires - como a própria xícara! E vi gente fotografando o banheiro, tchê!


*Subte

Vitor Ramil



(canção do CD Tambong)

Yo dejo el sol detrás de mí
Y bajo hondo en la ciudad
La lengua que hablan por aqui
Es toda hierro y oscuridad
Del tunel llega una luz
La luna me viene a buscar

Hay tanta gente en el vagón
Todos me miran sin parar
Sus ojos sueñan mi visión
¿Que hago yo en este lugar?
El tunel me hace comprender
La luna me puede llevar

Sur
Subtemoon
Subtedream
Yo viajo en el Subtesur
Yo viajo en el Subtemí

Yo veo el tiempo en la pared
Que pasa y siempre queda allá
Yo veo la vida en el tren
Inmóvil puedo en él viajar
El tunel negro es la razón
La luna me hace delirar

Sur
Subtemoon
Subtedream
Yo viajo en el SubtesurYo viajo en el Subtemí

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