30 de ago de 2011

Estação Espacial Internacional, supermercados e o fim da ilusão do liberalismo capitalista

Uma pequena notícia no jornal de dias atrás (25/08) me fez pensar que, assim como o “comunismo clássico” representado pela URSS faliu, também o “capitalismo clássico”, representado em especial pelos EUA, foi à breca. Nem foi alguma notícia das crises econômicas norte-americanas recentes, quando se chegou ao ponto do governo (e não a mão invisível do mercado) ter que emprestar grana para a outrora toda-poderosa GM não emborcar. O dirigismo estatal e a livre iniciativa em seus extremos já provaram quanta desgraça podem produzir. Sua ausência completa, também parece ser um erro e somente ideólogos à esquerda e a direita conseguem manter seus radicalismos.

Mas a notícia fala de um problema no sistema de propulsão, que fez cair um foguete russo, que estava levando mantimentos para Estação Espacial Internacional (“a nave não-tripulada Progress M-12M transportava cerca de três toneladas de provisões para a tripulação da ISS”, 25/08/11). O drama é que os EUA não teria como refazer o transporte, já que seu programa de ônibus espaciais foi desativado, e novo programa norte-americano vai demorar mais não sei quantos anos para voltar às viagens para fora da Terra. Ou seja, tudo depende dos russos para manter-se o abastecimento do projeto que envolve principalmente os dois países (EUA e Rússia), entre mais alguns. Ou seja, a Rússia, por sua herança soviética, consegue manter o programa espacial pela agência Roscosmos; os EUA, obrigou-se a cortar verbas da Nasa.

Aliás, também na semana passada, li uma nota na coluna de economia (informe Econômico, de ZH, p.20, 24/08/11) sobre um pronunciamento do presidente da Agas (supermercadistas) na Expoagas (fornecedores de supers). É sobre o “avanço desmedido” de grandes multinacionais do setor, o Sr,. Antônio Longo disse “em alto e bom som”:

– É preciso ficar atento à autorização da construção de grandes empreendimentos, sem qualquer análise. Qualquer país protege suas empresas, regulando o crescimento da economia de forma salutar.

Bah! Baita declaração do intervencionismo estatal, poderíamos dizer. Liberais empedernidos, do IEL, que pedem a toda hora o fim do Estado, deveriam fazer uma passeata na Expoagas, pedindo as tripas do empresário e dirigente da corporação supermercadista dos RS...

10 de ago de 2011

Vereadores: 11 é pouco, mas Câmara precisa melhorar muito

Semanas atrás isntalou-se uma polêmica - que ainda correr - por conta da alteração de número de vereadores na Câmara Municipal de Santa Cruz do Sul. Emendei alguns de meus comentários curtos (!) sobre o assunto por aí e posto-os abaixo.

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Não avultando os custos, sou favorável a ampliação do número de vereadores em Santa Cruz. Quem quer democracia, quer ampliar a representação da população na câmara, entrado mulheres, por exemplo, que não existe uma sequer, entre outros segmentos e até partidos sem representação no legislativo local.

Câmaras de vereadores, assembléias legislativas e outros mecanismos são essenciais na democracia, e sua qualidade depende muito do voto do/a cidadão/ã. "Jogar a culpa" da política podre e medíocre nos vereadores é esquecer quem os elege. São retratos do povo, ou seja, meus, teus, nossos.

Ter maior participação no processo político – e não simplesmente manter ou diminuir vereadores – me parece o melhor caminho. Discutir não só na hora de querer cortar gastos com supostos inúteis. Radicalizando, poderíamos dispensar todos os parlamentares e demais cargos políticos eleitos e deixar que um "Hitler" nos governe... No começo, poderia sair mais barato...

Além da "baixa produtividade", acho que a pequena representação numérica na Câmara também colabora para a aprovação de projetos absurdos, já que a possibilidade de haver contestação é menor com um número diminuído de vereadores. Santa Cruz, democraticamente, está perdendo muito com essa baixa proporção entre eleitores e vereadores. Vale Verde tem 2.850 eleitores e 9 (nove) vereadores. Santa Cruz, 90.670 eleitores e 11 (onze) vereadores...

A mobilização que está acontecendo tem vários lados positivos. O empenho das pessoas preocupadas com os gastos públicos é um dessas facetas. Mas falta abordar e aprofundar o tema do poder, da democracia e da participação popular, ou seja, da cidadania em amplo sentido. Não são assuntos muito simples. Para os vereadores, fica o alerta: parece que suas atuações estão deixando muito a desejar, pelo investimento que a população faz para mantê-los e manter toda a estrutura da Câmara.

5 de ago de 2011

Hendrix e a influência da tecnologia musical portuguesa na vida do guitarrista


Ao falar da Amy, falei do Jimi, dois talentosos artistas mortos por conta das decorrências do abuso de álcool e outras drogas ao longo de suas breves, intensas e conturbadas vidas. Considerado o maior guitarrista da história, de descendência afro e indígena, nascido nos EUA dos anos de 1940, teve como seu primeiro instrumento de cordas uma espécie de pequeno violão ou cavaquinho de quatro cordas de origem portuguesa, o ukelele, originalmente (e com outro nome) trazido por portugueses da Ilha da Madeira direto para o Havaí provavelmente no final dos anos de 1700, quando a ilha iniciou o cultivo e beneficiamento da cana de açúcar, outra tecnologia dominada pelos lusos com maestria (e que também tem apropriação de anteriores conhecimentos árabes, hindus e chineses).

Nessa peculiaridade de Hendrix, que, ainda na infância, ganha de seu pai um instrumento musical da tradição lusitana, vemos, mais uma vez, a multiplicidade das influências étnico-culturais – consubstanciadas também em tecnologias para a produção de sons musicais por percussão de cordas – compondo uma personalidade e suas habilidades.

E quantas centenas ou milhares de pessoas se cruzaram direta ou indiretamente no afloramento e manifestação da musicalidade de Jimi Hendrix? Se considerarmos só um outro elemento básico do seu instrumento, como o captador elétrico da sua primeira guitarra, comprado por 5 dólares em Seattle, quantos e quantos conhecimentos desenvolvidos por inúmeras pessoas em diferentes épocas acabam entrando neste "bland"? Poderíamos começar com o circunspecto inglês James Maxwell, que desenvolveu as equações físico-matemáticas que possibilitaram a “visão” e manipulação do eletromagnetismo...

Muita água rolou até o estrelato de Jimi em Londres, do outro lado do mundo, culminando em sua lamentável e precoce morte...