11 de mar de 2013

O helicóptero e o Papa rumo ao seu castelo de verão...



O papa se despede e parte dos palacetes do Vaticano em um super helicóptero das Forças Armadas italianas (foto acima) para passar alguns meses descansando em Castel Gandolfo, um lugar paradisíaco, “residência de verão dos pontífices”, de arquitetura clássica, decoração primorosa, com grande estafe de serviçais  e uma vista de tirar o fôlego. Toda manobra de deslocamento foi feita dentro de uma logística milimétrica, com um aparato de segurança que movimentou centenas de pessoas altamente treinadas e prontas para abater qualquer um que tivesse loucura suficiente para tentar qualquer agressão ao ex-representante de Deus na Terra...

Mas não é só esses fatos ostentatórios que entram em choque com a instituição que pretende ser a mais antiga, a mais legítima e digna representante de um pobríssimo aprendiz de carpinteiro e seus rudes apóstolos pescadores, iniciadores de uma nova seita judia, que passou a ser conhecida como cristianismo. Todos parecem ter sido paupérrimos a vida inteira, até a hora de suas terríveis mortes, como dão a entender os Evangelhos. O uso do caríssimo helicóptero também é uma contradição para uma instituição que por quase dois milênios tentou/tenta sufocar o pensamento científico, em nome de seu dogmatismo e, mais que isso, pelo controle do poder sobre as mentes e corpos do rebanho humano... Óbvio que chega a certa altura e a Igreja acaba se rendendo, “aderindo” aos avanços tecnológicos, sem abrir mão do seu inerente obscurantismo anticientífico. O uso do helicóptero é um dos muitos exemplos.

É notório que muitíssimos avanços se deram “apesar” da feroz oposição da Igreja ao pensamento livre, à especulação que foge das interpretações oficiais da geriatria machocêntria, ao patriarcalismo que controla algo, observem, fundado por jovens contestadores (Jesus morre no auge dos 33 anos – e os apóstolos, se pode supor, tinham idades em torno disso quando aderiram às ideias de Jesus). Entretanto, um Papa só poderá ter em torno de 70 anos e toda a hierarquia maior está bem além dos 50 anos de vida. Não é só as mulheres que são vetadas radicalmente nos cargos de poder da Igreja; os jovens também estão fora das grandes decisões católicas – são tratadas como seres abestalhados, sem “capacidade suficiente”.

Enfim, para o Papa embarcar no helicóptero e deslocar-se com rapidez, agilidade e segurança até a nababesca propriedade da sua Igreja, muitos pensadores, inventores, filósofos e cientistas foram torturados ou mortos barbaramente, além dos incontáveis que foram calados, amordaçados ou podado antes mesmo de desenvolverem seus potenciais por conta da violência sectária do poder católico. Todas essa repressão cruel, sofrimentos e mortes não parecem constranger o Papa, aboletado no poderoso modelo de aeronave, rumo às férias...

Infelizmente, tais reflexões e tais contradições não são levantadas – nem pelo pontífice e, muito menos, pela maioria de nós, pobres mortais. Como vivemos alienados, sem consciência dos meandros das coisas; até mesmo sem vontade de saber, de conhecer; sem curiosidade em amplo sentido; além de sedentos de acalentos que nos poupem das verdades cruéis do mundo real e do abismo da morte física; como vivemos assim, na superfície das coisas e encagaçados, nos tornamos refratários a qualquer ameaça às recompensas dadas pelas “certezas” de igrejas e instituições assemelhadas. Crer, sem questionar, é, mesmo, bem mais fácil, como diz o psicólogo Michael Shermer.


***Comentário complementar: Eu também fui criado católico, com batismo, comunhão e crisma. No final da adolescência, já estava renegando... Minhas duas filhas não são batizadas em igreja alguma e, ao menos isso, vou deixá-las livres para escolher se aderem ou não a alguma igreja. Aliás, para as mulheres, a Igreja Católica é um lugar "pouco amigável", pela posição subalterna que são colocadas, submetidas a um “papa”, onde jamais haverá uma “mama”; onde não podem rezar missa, apenas ser serviçais em alguma clausura, como freiras ou monjas, sob o comando superior de bispos, cardeais etc. O patriarcalismo em sua pior faceta. Triste ver que tal ideologia obscura e opressora da Idade Média ainda perdure com força, embora haja algumas resistências internas na própria Igreja.

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