2 de out de 2013

Outra forma de se "religare" com o universo, a vida, a existência cotidiana


"A ciência é minha religião." Tenho usado esta frase um tanto chocante e paradoxal, no sentido de que, como forma de me “religar ao mundo”, deixei de lado, após um longo convívio com o misticismo de diversas vertentes (iniciado lá no meu batismo católico, comunhão e crisma, somado a experiência na teosofia, espiritismo, umbanda e santo daime – só para falar de algumas); incorporei essas coisas de uma outra forma, preferindo cada vez mais depositar minha confiança (“fé”) nas “revelações” científicas – não naquela coisa muitas vezes rala, chata e sempre desatualizada aprendida na escola (vinda comumente de professores sem tesão pelos assuntos), mas no que a gente pode acessar das pesquisas e literaturas científicas contemporâneas, tão vastas e complexas, que exigem muita dedicação para compreender - e estou longe de abarcar, além de ser um conhecimento permanentemente em construção/desconstrução, bastante diferente do dogmatismo inerente a quase todas as confissões religiosas.

Outra coisa recorrente: fico pensando em como somos alienados – mesmo das coisas que usamos no dia a dia: alienados tecnológicos, por exemplo; a esmagadora maioria sequer tem uma vaga noção de como funcionam os milhares de transistores que estão por detrás da superfície das telas e teclados, pelos quais repassamos por e-mail “correntes” do tipo “Repasse isso para 10 pessoas e aguarde um milagre da amorosa Virgem Maria, caso contrário, um vergalhão lhe atravessará o crânio”... O que podemos esperar de uma massa tão desinteressada senão fácil manipulação? Veja-se a quantidade de gente em templos e procissões, a partir de crenças fundadas no conhecimento que se tinha na Idade do Bronze?!

A ciência não é a última palavra sobre as coisas, sobre o mundo. Mas, na minha compreensão sobre o que é a ciência - um empreendimento humano, e aí começa toda a diferença, porque religiosos pensam sua crença como uma "revelação do além", e que não se questiona -, ao menos tem resultados bem concretos em termos tecnológicos, atestando o seu pragmatismo, a sua utilidade real, a factualidade do seu conhecimento - às vezes impressionante, como se vê pelos aviões, pontes, celulares, computadores, anestesia, videolaparoscopia etc.

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